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ECONOMIA

Juros fecham em forte alta com resultado do Copom e avanço do dólar

17 maio 2018 - 15h46

O mercado de juros esteve nesta quinta-feira, 17, sob forte estresse e as taxas fecharam em alta expressiva, especialmente nos contratos de curto e médio prazos. A reação à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que surpreendeu boa parte do mercado ao manter a Selic em 6,50%, somada ao novo avanço dólar resultou num forte movimento de stop loss (zeragem) de posições vendidas, que não somente fez dispararem as taxas, mas também catapultou o volume de contratos.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para outubro de 2018 fechou em 6,460%, ante 6,223% no ajuste da quarta-feira, e o DI para janeiro de 2019 - que movimentou mais de 1 milhão de contratos - encerrou com taxa de 6,600%, de 6,320%. A taxa do DI para janeiro de 2020 subiu de 7,34% para 7,62% e a do DI para janeiro de 2023 fechou em 9,77%, de 9,63%.

A decisão do BC contrariou a aposta majoritária nas mesas de operação e também entre os economistas dos Departamentos Econômicos, que esperavam redução da taxa para 6,25%.

A expectativa tinha por base a entrevista do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, à GloboNews na semana passada, na qual disse que, num regime de metas, o BC "olha pra inflação, atividade, é isso que importa na decisão", após ter sido perguntado sobre como as recentes turbulências internacionais poderiam afetar a decisão de política monetária esperada para esta quarta-feira.

Como boa parte do mercado estava vendido em juros, a decisão provocou um significativo ajuste nas posições, puxando para cima as taxas curtas. A curva, considerando somente o Copom, deveria desinclinar, ou seja, os mais longos deveriam ficar estáveis ou até em leve queda. "Mas o dólar estragou tudo", comentou o sócio-gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi.

A moeda americana chegou, nas máximas, a R$ 3,71, e era cotada a R$ 3,7045 (+0,79%), alinhada à tendência ante outras moedas de economias emergentes. Segundo ele, a T-Note de dez anos em 3,10% também não ajuda.

O resultado do Copom, somado a outros fatores, ajuda também a derrubar a Bolsa, com o Ibovespa em baixa de 3,62%, aos 83.405,19 pontos, às 16h35, e apenas três ações em alta.

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