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ECONOMIA

Governo dá recado de que há mais dinheiro a ser liberado por reforma

O governo encomendou estudos à equipe econômica para verificar o que é possível remanejar do Orçamento de 2018 para atender às demandas dos parlamentares em troca dos votos.

7 Dezembro 2017 - 00h51
Jucá fez um dos discursos mais incisivos da noite e disse que, para os aliados do governo não serem mais chamados de golpistas por causa do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, é preciso salvar o Brasil.
Jucá fez um dos discursos mais incisivos da noite e disse que, para os aliados do governo não serem mais chamados de "golpistas" por causa do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, é preciso "salvar o Brasil". - Foto: Fausto Macedo
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No dia em que o Congresso Nacional fez andar medidas que somam R$ 30,2 bilhões em "benesses" a diferentes setores, o governo tratou de passar o recado de que ainda há mais dinheiro que pode ser liberado até 31 de dezembro para facilitar a aprovação da reforma da Previdência. A mensagem foi transmitida pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), durante jantar, na noite desta segunda-feira, 6, no Palácio do Alvorada, com o presidente Michel Temer, ministros e aliados, segundo apurou o Broadcast.

Jucá fez um dos discursos mais incisivos da noite e disse que, para os aliados do governo não serem mais chamados de "golpistas" por causa do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, é preciso "salvar o Brasil". A reforma da Previdência é citada pelos governistas como uma agenda necessária para manter o crescimento do País e a queda dos juros e da inflação.

O governo encomendou estudos à equipe econômica para verificar o que é possível remanejar do Orçamento de 2018 para atender às demandas dos parlamentares em troca dos votos. Há o desafio de fazer tudo caber dentro do teto de gastos. A fala de Jucá, porém, indica que o governo trabalha também com o Orçamento deste ano, para além dos R$ 2 bilhões já prometidos aos prefeitos. Segundo relatos, o líder do governo no Senado sinalizou que todos os recursos disponíveis em 2017 serão empenhados.

Apesar do esforço do governo em atender à sua base aliada, integrantes de alguns partidos disseram que não está na hora de votar a reforma da Previdência - entre eles o líder do PSD na Câmara, Marcos Montes (MG), o ministro Gilberto Kassab (Comunicações), que é presidente licenciado do PSD, e o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI). Outros defenderam que a votação fique para a última semana do ano legislativo, entre 18 e 22 de dezembro.

A avaliação dos presentes é que ainda não há condições de votar a proposta na semana que vem, como desejam o governo e o próprio relator da reforma, deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA). Na saída do jantar, o vice-líder do governo na Câmara, Beto Mansur (PRB-SP), admitiu a possibilidade de a votação ser postergada para a última semana de atividade no Legislativo.

Segundo apurou o Broadcast, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), reconheceu que o governo ainda não tem os 308 votos necessários, mas disse que é preciso vencer as dificuldades criadas com as duas denúncias contra Temer. As acusações foram barradas pela Câmara, mas levaram a um desgaste político. Maia se referiu ao "nó que o Janot nos criou" e ao "teto de votos" que acabou se impondo após a atuação do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, autor das denúncias.

Eleições
Diante do temor dos aliados de que um voto favorável à reforma da Previdência acabe prejudicando suas campanhas eleitorais em 2018, o presidente Michel Temer adotou um discurso duro. Ele advertiu os governistas de que, se a reforma não for votada, a cobrança pode se virar contra eles durante a corrida eleitoral por "manterem privilégios", principalmente de servidores públicos.

O deputado Celso Russomanno (PRB-SP), que lidera pesquisas de intenção de voto para o governo de São Paulo, concordou com Temer durante o encontro, segundo relatos. O parlamentar paulista reforçou o alerta de que será necessário responder "por que não foi votada" a reforma da Previdência, caso não haja de fato outra saída senão adiá-la.

A reunião contou com a presença de 18 ministros (inclusive da área econômica), 16 deputados (incluindo líderes de partidos), além de Maia e do secretário de Previdência do Ministério da Fazenda, Marcelo Caetano. Também participaram sete presidentes de partidos, entre eles o do PSDB, Alberto Goldman. Após as conversas, foi servido jantar aos presentes.

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