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NOVA CHANCE

Empresários de MS se tornam referência nacional na contratação e ressocialização de detentos

12 março 2019 - 19h11

Com uma população carcerária de 18 mil detentos, Mato Grosso do Sul se tornou uma referência nacional de ressocialização. Atualmente, 32% da população carcerária do Estado trabalha formalmente em 180 empresas públicas e privadas através de um convênio entre empresários e Governo Estadual. O dado foi apresentado hoje (12) durante o lançamento da Cartilha “Mão de Obra Carcerária”, produzida pela a Agepen/MS (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário, em evento na CDL/CG, com a presença do desembargador Luiz Gonzaga Mendes. De acordo com o TJ/MS, o Mato Grosso do Sul é o estado onde mais se emprega detentos.

Para o presidente da CDL, Adelaido Vila, que também é parceiro do projeto, o objetivo da cartilha é orientar e incentivar ainda mais empresas na contratação de apenados.

“Dentre as vantagens do convênio com o Poder Público há uma economia para a empresa de encargos sociais e trabalhistas referentes as contratações. Mas, além disso, este convênio é importante para a reinserção do cidadão na sociedade. É uma crença de que, com oportunidade, o ser humano, mesmo que tenha cometido um crime, pode ser bom”, comentou Vila. 

Com total de 5.840 apenados com contrato formal de trabalho, Mato Grosso do Sul está 10% acima da média nacional em programas de ressocialização. Karen Ridrigues Resner, 27 anos, é uma das atendidas no projeto. Cumprindo pena por tráfico de drogas, ela trabalha há 6 meses como agente de telemarketing da CDL Campo Grande.

“É uma oportunidade de realizar um sonho e recuperar nossa vida. A ressocialização é uma forma de acreditar que nem todos que estão no regime são criminosos e que podem ser ressocializados. Hoje eu penso em estudar, fazer faculdade de Administração. Com essa oportunidade o céu é o limite”, contou Karen.

O diretor-presidente da Agepen/MS, Aud de Oliveira Chaves, explica que, dentre os benefícios do convênio, a empresa pode economizar até 50% de despesas com encargos sociais e trabalhistas, além de se tornar certificada pelo Ministério da Justiça com o “Selo Resgata” proporcionando visibilidade nacional e marketing social.

“Outro ponto importante do convênio é que o apenado passa a cumprir jornada de no mínimo seis horas e no máximo oito horas diárias, podem ter a pena reduzida e recebem remuneração. Ao final da jornada de trabalho eles retornam ao cumprimento da pena. Com isso aprendem uma profissão e podem retornar a sociedade de forma digna”, comentou o diretor-presidente.

Também participaram do evento o desembargador do TJ/MS Luiz Gonzaga Mendes Marques, coordenador da Covep (Coordenadoria das Varas de Execução Penal); juiz Christian Gonçalves Mendonca Estadulho, presidente da Amatra XXIV (Associação dos Magistrados do Trabalho da 24ª Região); a promotora Renata Goya, da 50ª Promotoria de Justiça; o defensor público Paulo José Patuto; o diretor-presidente da Agepen, Aud de Oliveira Chaves e o secretário-adjunto de Justiça e Segurança Pública, coronel Ary Barbosa. 

 

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