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ECONOMIA

Eleição é o maior risco para retomada, dizem analistas

Agora, o crédito começa lentamente a ser liberado novamente

14 fevereiro 2018 - 06h15
O que ameaça essa melhora, segundo os analistas, é o risco político
O que ameaça essa melhora, segundo os analistas, é o risco político - Foto: MM Editorial

Para Orlando Merluzzi, da consultoria MA8, está chegando o momento em que os brasileiros que compraram carro em 2011 e 2012, período em que, estimuladas por uma oferta de crédito mais fartas, as vendas bateram recorde, vão começar a trocá-los por modelos mais novos. À época, o consumo foi aquecido por taxas de juros mais baixas e incentivos fiscais concedidos pelo governo.

Os anos seguintes, no entanto, foram marcados pelo aumento da inadimplência, por parte daqueles que não conseguiram quitar seus financiamentos, e, mais recentemente, pelo aumento do desemprego. Segundo dados do Banco Central, essa "farra" do crédito, especialmente em 2010 e 2011, deixou um rombo de R$ 22,8 bilhões para as instituições financeiras. Tais condições levaram os bancos a serem mais rigorosos na hora de aprovar o crédito.

Agora, o crédito começa lentamente a ser liberado novamente. Segundo a Fenabrave, o nível de aprovação dos bancos, que durante a crise era de três a cada 10 pedidos, subiu para quatro a cada 10 pedidos no fim do ano passado.

O que ameaça essa melhora, segundo os analistas, é o risco político. As eleições que se aproximam estão no radar dos bancos e dos próprios consumidores. "Os candidatos a presidente que temos ou vão levar o Brasil para a realidade, com o corte de gastos, ou para o contrário, que é o populismo. Como o carro mais barato é bastante financiado, e o prazo de financiamento costuma ser de quatro anos, que é justamente o período de um mandato, os financiamentos podem ser travados caso não haja muita clareza do que vem por aí", disse Arnaldo Brazil, diretor da consultoria Sell-Out 3.

Tanto Merluzzi quanto Brazil esperam que o mercado em 2018 cresça em ritmo similar ao da projeção oficial das principais entidades do setor. A Anfavea, que representa as montadoras, fala em avanço de 11,7%, e a Fenabrave, das concessionárias, aposta em uma taxa de 11,8%. E a venda de automóveis mais baratos, segundo os analistas, deve seguir a mesma tendência. Em 2017, os segmentos de carros de entrada e hatchs pequenos representam cerca de 50% de todos os automóveis vendidos para pessoa física. 

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