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ECONOMIA

Economistas já esperavam rebaixamento da S&P

Gustavo Loyola, sócio-diretor da Tendências Consultoria Integrada e ex-presidente do Banco Central, avalia que embora esperado, o rebaixamento terá impacto no mercado porque os investidores vinham desde o fim do ano passado com um certo clima de euforia a

12 janeiro 2018 - 11h21
Para o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, a decisão da agência de classificação de risco faz sentido, uma vez que a probabilidade de a reforma da Previdência passar no Congresso, mesmo em fevereiro, é muito reduzida
Para o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, a decisão da agência de classificação de risco faz sentido, uma vez que a probabilidade de a reforma da Previdência passar no Congresso, mesmo em fevereiro, é muito reduzida - Foto: Transportadora Sulista

O rebaixamento da nota do País pela Standard & Poor's, na noite de ontem, não é injustificado e já era esperado pelo mercado, segundo economistas ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo. Eles também acreditam que o movimento pode até ser um incentivo para que os parlamentares aprovem a reforma da Previdência, embora achem muito difícil que isso aconteça.

Gustavo Loyola, sócio-diretor da Tendências Consultoria Integrada e ex-presidente do Banco Central, avalia que embora esperado, o rebaixamento terá impacto no mercado porque os investidores vinham desde o fim do ano passado com um certo clima de euforia auxiliado pelo cenário externo favorável. "A percepção é que as chances de aprovação (da reforma da Previdência) são muito limitadas", afirmou o economista, ressaltando que torce para o texto passar no Congresso, embora esteja pessimista. Além disso, o confuso cenário eleitoral contribui para deixar as perspectivas mais complicadas, conclui Loyola.

Para o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, a decisão da agência de classificação de risco faz sentido, uma vez que a probabilidade de a reforma da Previdência passar no Congresso, mesmo em fevereiro, é muito reduzida. "O mercado, em tese, já era para ter precificado que a aprovação não ia acontecer. Por isso, acredito que a reação não deve ser nada muito grandiosa ou intensa", disse ele, que acredita na votação das regras sobre a aposentadoria apenas no próximo governo, ou seja, a partir de 2019.

"O rebaixamento do País poderia servir, em alguma medida, de incentivo para que os parlamentares se atentassem da importância da reforma da Previdência, mas o impacto do corte do rating do Brasil deve ser nulo", diz o ex-diretor do Banco Central Alexandre Schwartsman. "A reforma dificilmente deve passar este ano, infelizmente, esse bonde já passou. A importância desse movimento, de todo modo, é questionável. As agências de risco são de uma inutilidade atroz. Há formas mais eficientes de se medir o risco País", avalia.

O professor da Universidade de Brasília (UnB) José Luís Oreiro disse achar curioso que esse movimento da S&P ocorra justamente após a economia brasileira começar a dar sinais de que estava deixando a recessão para trás. "A gente não pode descartar um movimento político, de que essa redução seja usada para pressionar os parlamentares para votar pela aprovação da reforma da Previdência em fevereiro, mas esse movimento seria inócuo. Essa crise do Ministério do Trabalho mostra que o governo Temer não tem força para fazer a reforma."

Lá fora

Também no mercado externo, o rebaixamento "era mais ou menos esperado, pelas dificuldades para o avanço do ajuste fiscal", comentou Alberto Ramos, diretor de pesquisas para a América Latina da Goldman Sachs. Para Ramos, a decisão da S&P "deve trazer algum impacto em ativos, como dólar", mas deve ser por pouco tempo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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