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INFLAÇÃO DIEESE

Cesta Básica de Campo Grande tem inflação acumulada de 22,78% em 2015

Em 12 meses, o custo para aquisição da Cesta Básica na capital de Mato Grosso do Sul registrou variação de 22,78%, número mais expressivo da série histórica, iniciada em 2013

8 janeiro 2016 - 15h29DA REDAÇÃO COM INFORMAÇÕES DA ASSESSORIA
Seis produtos tiveram preços elevados em todas as cidades
Seis produtos tiveram preços elevados em todas as cidades - Divulgação/ABr
 
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A Cesta Básica do mês de Dezembro de 2015, em termos monetários, apresentou custo de R$ 378,55 - um acréscimo de R$ 9,96 em relação ao valor observado no mês anterior, que foi de R$ 368,59. Na comparação com o mês de Dezembro de 2014, cujo custo monetário da cesta foi de R$ 308,32, a diferença chegou a R$ 70,23, com um aumento mensal médio de R$ 5,85. Considerando todos os valores registrados em 2015, na média anual, a Cesta Básica em Campo Grande teve custo de R$ 346,18. 

No conjunto das capitais pesquisadas, Campo Grande apresentou a 10ª maior variação percentual, que foi de 2,70%, e a 8ª em custo monetário. Do conjunto de 13 itens alimentícios, 11 registraram aumento de preço, com retrações observadas somente para batata (-3,66%) e farinha de trigo (-2,98%). (Tabela 2)  

Em Goiânia/GO foi registrada a 4ª maior variação percentual (4,36%), seguida imediatamente por Brasília/DF (4,16%, 5ª), contudo, as posições mudam expressivamente quando consideramos os valores em Reais: R$ 392,93 (5ª) na capital federal, e R$ 335,87 (12ª) na capital de Goiás. (Tabela 4) 

A maior variação positiva entre todas as cidades foi observada em Belém/PA (7,89%), e a menor em Manaus/AM (1,25%). Fechando o ano, Porto Alegre/RS notou a maior quantia para aquisição de uma Cesta Básica (R$ 418,82), ainda que tenha sido a 7ª em termos percentuais. Em Aracaju/SE registrou-se o menor valor para a Cesta (R$ 296,82). 

 

O tempo de trabalho empenhado para garantir a compra dos 13 itens que compõem uma Cesta Básica manteve o viés de ascensão. Avançando 2 horas e 47 minutos, em comparação ao mês de Novembro, o tempo total de atividade laboral foi de 105 horas e 41 minutos em Dezembro. 

No que se refere ao comprometimento do rendimento líquido do salário mínimo para aquisição da Cesta Básica, houve uma elevação em 1,38 pontos percentuais, representando 52,22% do salário mínimo, contra 50,84% no mês anterior. 

Cesta Básica Familiar 

No mês que encerrou o ano de 2015, o custo da Cesta Básica Familiar apresentou alta de R$ 29,88 em relação à cesta de Novembro (R$ 1.105,77). A quantia que uma família teve de comprometer para adquirir uma Cesta em Dezembro foi de R$ 1.135,65, valor equivalente a 1,44 vezes o salário mínimo bruto – aumento de 0,04 p.p em 30 dias. 

O valor médio anual da cesta familiar em 2015 alcançou a cifra de R$ 1.038,55, sendo de R$ 912,22 a média de 2014. Na comparação entre os meses de Dezembro de 2014 e Dezembro de 2015, o custo entre as cestas apresentou alta de R$ 210,69. 

Salário Mínimo Necessário 

O vigente Decreto Lei n.º 399/1938, que orientou o trabalho de elaboração mensal da pesquisa da Cesta Básica, bem como o do Salário Mínimo Necessário (SMN), estabelece que cada trabalhador deveria receber um salário cuja quantia atendesse um determinado conjunto de despesas, para si e sua família. 

Considerando o maior valor monetário da Cesta Básica observado novamente em Porto Alegre/RS, o Salário Mínimo Necessário (SMN) foi estimado em R$ 3.518,51. Essa estimativa, superior em R$ 119,29 ao valor obtido em Novembro (R$ 3.399,22), fez com que o SMN fosse equivalente à 4,46 vezes o salário mínimo bruto em vigor, de R$ 788,00. 

Computando os registros do SMN do ano de 2015, a média mensal estimada foi de R$ 3.280,75, contra R$ 2.915,16 em 2014 – um aumento de R$ 365,59 em 12 meses. 

Comportamento dos preços 

A trajetória de alta consistente dos preços iniciada em Outubro parece que não dará trégua tão cedo – exceto, no mês de Dezembro, pelas retrações de batata (-3,66%) e farinha de trigo (-2,98%). 

Os preços de feijão (12,62%), açúcar (11,73%), tomate (7,09%), manteiga (6,37%), banana (4,66%), leite (3,57%), óleo de soja (2,98%), pão francês (2,65%), arroz (2,42%), café em pó (1,39%) e carne bovina (0,10%) registraram aumentos significativos. 

Em 12 meses, somente o preço de Farinha de trigo apresentou retração. A Manteiga foi o único produto com variação em um dígito, pois os demais produtos tiveram variação de 2 dígitos, o que se refletiu no índice anual do conjunto da Cesta. (Tabela 3). 

Em um ano marcado por intempéries climáticas, os produtos que saem diretamente do campo para a mesa dos trabalhadores também apresentaram variações extremas de preço, como foi o caso da batata (-3,66%), especialmente no segundo semestre do ano, assim como o tomate (7,09%) e a banana (4,66%). 

O descompasso entre a oferta do tubérculo e demanda dos consumidores fez com que o preço ora aumentasse, como aconteceu em Julho, Setembro e Novembro, ora diminuísse, como aconteceu em Agosto, Outubro e Dezembro. Em 12 meses, porém, a variação é expressiva: 47,01%. 

Terenos, Dois Irmãos do Buriti, Paranaíba, Cassilândia e Itaquiraí, importantes fornecedores locais, não conseguem atender toda a elevada demanda pela fruta, o que obriga a aquisição de outros fornecedores, e apresenta custos adicionais ligados à logística para o fornecimento. 

No caso do fruto, aos conhecidos problemas de logística inclua-se o fato de que o volume e a qualidade foram afetados pela combinação de altas temperaturas e fortes chuvas. Em 2015, o tomate acumula alta de 49,50%, e a banana, 21,69%. 

As variações climáticas, além de impactar o volume e qualidade dos produtos, também interferiram na opção dos produtores em reduzir, ou aumentar, a área plantada. Desde Setembro, no caso do feijão (12,62%), os produtores que optaram pela redução da área têm sido beneficiados. 

Já o consumidor poderá encontrar o preço do grão mais favorável a partir da segunda quinzena de Janeiro, quando o primeiro ciclo da safra 2015/2016 começa a ser ofertado no mercado. Em um ano, o feijão carioca apresentou variação de 63,14%. 

No caso do arroz (2,42%), o cenário é desafiador tanto para produtores, quando para consumidores. O excesso de chuvas, que inclusive causaram enchentes na maior região produtora do país, tende a manter a trajetória de alta no preço do cereal, que acumula alta de 13,90% em 12 meses. 

Outro cereal que apresentou diferenças significativas de preço no último trimestre foi o trigo, influenciado pelas oscilações no clima, bem como pelas variações do câmbio – que nos últimos 100 dias, foi de R$ 3,47 a R$ 4,19, além da elevação nos preços administrados. 

No mês, contudo, a farinha de trigo (-2,98%) teve queda de preços, graças ao bom abastecimento dos moinhos, situação que pode ser mantida se a política de redução de impostos de exportação, promovida pela Argentina, principal fornecedor para o país, coincidir com um bom volume de produção e qualidade do produto. 

Além dos fatores citados, a demanda aquecida pelo período de festas de final de ano e férias, contribuiu para que os valores do pão francês (2,65%) também subissem, no mês e ao longo do ano. O pãozinho, inclusive, ascendeu em nível superior ao do insumo, o qual acumula retração em (-1,52%) no ano de 2015, contra um aumento de 25,03% do derivado. 

Recordes de variação entre as capitais pesquisadas, em Campo Grande o leite (3,57%) e seu principal derivado, a manteiga (6,37%), também registraram aumentos em um ano, de 11,94% e 3,57%, respectivamente. A demanda aquecida, movimento típico de final de ano, e pontuais restrições de oferta, em função das chuvas, fizeram com que os preços subissem. 

Embora o volume e a qualidade da produção do café brasileiro tenham sido menores que o esperado para a safra 2014/2015, os produtores não têm muito do que reclamar: só em Campo Grande, o preço do café em pó (1,39%) em Dezembro fechou uma sequência de seis meses consecutivos em alta. 

Com o preço do grão acumulando alta de 12,61% no ano de 2015, a estimativa dos especialistas do setor para este ano é de estabilidade de preços para o consumidor se a safra 2015/2016 for superior à anterior. 

O ritmo lento de negociações, graças ao período de festas, fez com que o preço da carne bovina (0,10%) se mantivesse praticamente estável, e sugere que a mudança no hábito dos consumidores, que reduziram o consumo e fizeram uso de outras carnes, não foi suficiente para afetar os produtores, incluindo os sul-mato-grossenses. 

A despeito do fechamento de frigoríficos no estado, da descoberta de adulteração de produtos e da alteração no padrão de consumo interno, em 2015, a carne bovina acumulou alta de 14,97%. 

De acordo com analistas do setor , o processo de orientação para exportação tende a ser ampliado com o aumento no volume de compras por parte do mercado chinês e, principalmente, pelo fim, em meados de 2015, do embargo norte-americano aos produtos brasileiros, processo que durou 15 anos. 

China, Itália e Argentina são os três maiores compradores do estado, de acordo com informações do MDIC, e não somente do complexo carnes, mas também da soja e do açúcar, tendo o óleo de soja (2,98%) registrado somente uma retração de preço para os consumidores ao longo de 2015, no mês de Julho. 

Mesmo diante de uma safra histórica, segundo dados da APROSOJA, cujos dados preliminares apontam uma produção superior a 7,3 milhões de toneladas, o preço do derivado da oleaginosa não baixou para os consumidores internos, preteridos para o atendimento da demanda internacional. No ano, a alta foi de 19,17%. 

O preço do açúcar (11,73%), por seu turno, sofreu pressão interna de preços, com a produção do alimento sendo diminuída pelo aumento da fabricação de etanol. Notícias do setor reforçam a expectativa de alta dos preços devido à queda na produção, por conta do fenômeno El Niño, assim como pelo aumento da exportação, dada a maior participação no consumo de produtos industrializados pela população chinesa. 

A produção sul-mato-grossense atingiu 1.340 mil toneladas de açúcar e 2.440 mil m3 de etanol, e esta preferência fez com que o valor acumulado do preço do alimento alcançasse 25% em 2015. 

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