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ECONOMIA

'A política envelheceu, e o PSDB foi junto?, avalia Arminio

8 Dezembro 2017 - 06h20

A troca de governo em 2019 é uma janela de oportunidade para o Brasil seguir fazendo mudanças e reformas na política econômica, mas o processo é ameaçado pela possibilidade de vitória de um candidato populista em 2018, afirmou nesta quinta-feira, 7, o ex-presidente do Banco Central (BC) e sócio da Gávea Investimentos, Arminio Fraga. O economista admitiu que conversou com candidatos e pré-candidatos, como o apresentador Luciano Huck, mas descartou uma participação mais ativa nas eleições de 2018, como fez em 2014, quando foi consultor econômico da campanha do senador Aécio Neves (PSDB-MG).

"Estamos olhando para uma janela de oportunidade em 2019, dependendo do governo escolhido e dependendo da qualidade do debate em 2018", disse, em palestra durante seminário promovido pela Fundação Getúlio Vargas, em parceria com a Universidade Columbia. O economista disse que vê "sinais de populismo no ar", o que seria preocupante porque poderia haver retrocesso na economia. "É muito difícil derrotar um regime populista nas urnas. Em geral, eles quebram. De certa maneira, o nosso quebrou."

Na saída do evento, o ex-presidente do BC disse que a ameaça populista é clara. "A ameaça populista já chegou, é só ver alguns dos discursos", afirmou, evitando citar nomes. Questionado sobre a desfiliação recente de economistas ligados ao PSDB, como o também ex-presidente do BC Gustavo Franco e Elena Landau, que coordenou as privatizações no BNDES no governo Fernando Henrique Cardoso, Arminio destacou que não é filiado ao partido. "A política em geral envelheceu. O PSDB foi junto", afirmou. Antes, na palestra Arminio defendeu uma ampla reforma no Estado, já que, do ponto de vista fiscal, o Brasil está "na UTI". "O Brasil precisa de um Estado eficaz, que tenha capacidade de entrega", disse.

Nesse quadro, a reforma da Previdência é importante e deve ser aprovada logo, mas novos ajustes no regime previdenciário serão necessários nos próximos anos. Além disso, a reforma do Estado deveria englobar recursos humanos, orçamento e as empresas estatais. "Não faz sentido o governo ter empresa", disse o economista.

Para Arminio, todas as empresas deveriam ser privatizadas, incluindo Petrobrás e Eletrobrás. Tanto o fatiamento de grandes estatais quanto sua conversão em corporações são bons modelos. "É interessante esse modelo de criar uma corporação na Eletrobrás, mas tenho certas dúvidas. Talvez a empresa seja muito grande", afirmou, defendendo ainda a desvinculação total das despesas e receitas nos orçamentos dos governos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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