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VARIEDADES

Tempos modernos

13 Novembro 2017 - 07h15

O cumprimento - um forte aperto de mão - parece um alerta defensivo, mas logo o mágico sorriso de Whoopi Goldberg, aquele que se tornou sua marca registrada desde que apareceu pela primeira vez no cinema, em A Cor Púrpura (1985), desestabiliza a ideia de que logo viria uma dura conversa. "Aceita um macaron?", diz ela, sorriso pleno, oferecendo um dos três doces que restam em seu prato. "Me ajude a comer, pois já estou empanturrada e ainda quero mais." Oferta aceita e os poucos segundos antes do início da entrevista são consumidos em um silêncio de cúmplices, ambos com felicidade nos olhos e saboreando a guloseima como se estivessem cometendo uma travessura.

Com 62 anos (completados nesta segunda, 13), Whoopi Goldberg é uma rara figura no competitivo mundo do cinema e da TV dos Estados Unidos. Seu humor rascante serve tanto para divertir como para alertar e, como poucos, a atriz emite opiniões sinceras que, muitas vezes, incomodam. Ela conversa com a reportagem antes do lançamento do Calendário Pirelli de 2018, ocorrido na sexta-feira, 10, em Nova York, e no qual tem uma importante participação. E do qual tem orgulho: "É uma necessária provocação".

Com fotos clicadas pelo inglês Tim Walker, a 45ª edição chega com ares de ousadia: ao recontar a clássica história de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, o fotógrafo escalou um elenco de 18 celebridades negras. Estão ali a top model Naomi Campbell, o cantor e apresentador RuPaul, a atriz Lupita Nyong'o e o ator Djimon Hounsou, além da própria Whoopi, entre outros. Além de cortar cabeças, esses profissionais se uniram para decapitar preconceitos e estereótipos.

"A aventura de Alice foi contada diversas vezes e de formas diferentes, mas sempre com um elenco branco", observa Walker. "Nunca houve uma Alice negra, portanto, decidi trabalhar com a representação de figuras imaginárias e explorar a evolução da beleza." Para isso, ele escalou a modelo australiano-sudanesa Duckie Thot e seu charme exuberante para viver Alice. "Vivemos um momento inquietante e propício para narrar essa aventura de uma forma diferente."

Whoopi conta ter ficado entusiasmada com o resultado, mas não esconde o ceticismo. "Estamos terminando um ano com grandes mudanças. Mas serão novidades passageiras ou vieram para ficar?", questiona. No dia das fotos, ela vestiu uma enorme túnica laranja e um sobretudo multicolorido para viver a Duquesa. Foi em uma manhã de maio que ela posou para Walker, em um bem protegido estúdio no norte de Londres. Horas depois, RuPaul, ícone fashion de todos os gêneros, vestiu um exuberante vestido escarlate coberto com cartas de baralho e assumiu, com toda a pompa, o papel de Rainha de Copas. "É corajosa a atitude de uma empresa financiar um trabalho como esse", comentou Whoopi sobre o calendário da Pirelli, produto que, mais que um item comercial, tornou-se, com o passar dos anos, uma peça de arte. "Jamais imaginei participar de um, pois sou negra e geralmente as modelos são brancas."

Questionada se a opção da multinacional italiana em aceitar a decisão de Walker era também uma jogada comercial, Whoopi não se faz de rogada. "Hoje em dia, ninguém arrisca seu dinheiro. Claro que esse calendário será benéfico para a imagem da Pirelli e, espero, também para o seu caixa, mas prefiro elogiar o que agora é considerado uma ousadia."

A atriz de cabelos rastafári e óculos de aros redondos é doce no falar, mas projeta um olhar decidido ao repórter. Seu raciocínio rápido e a opinião bem fundamentada, porém, são um convite para mais pequenas provocações. Como essa: neste ano em que Moonlight ganhou o Oscar de melhor filme, em que a Pepsi foi obrigada a retirar do ar um comercial depois de acusada de se inspirar em cenas de protestos raciais para vender seu refrigerante, e de o calendário da Pirelli só trazer modelos negros, é possível dizer que algo está mudando? "Ainda é cedo para dizer", rebate a novamente cética Whoopi. "O caminho é esse, mas temos de esperar novos fatos para ter a certeza de que não foi apenas um modismo. Mas fico contente de ver esses artistas reunidos em torno de um único trabalho que valoriza a sua beleza. Quem sabe no futuro eu não seja convidada para ser Peter Pan?", diverte-se.

É justamente essa franqueza que torna Whoopi uma das artistas preferidas para reportagens sobre temas polêmicos, como a onda de denúncias de assédio sexual que vem se alastrando desde a revelação dos atos incabíveis do produtor Harvey Weinstein. Uma das quatro âncoras do programa The View, que a CBS exibe diariamente ao vivo no fim da manhã, algo semelhante ao Saia Justa, do GNT, Whoopi foi taxativa ao condenar as mulheres que aceitam receber uma polpuda quantia de seu abusador em troca do silêncio. "Claro que é uma difícil decisão, pois existe o risco de não mais encontrar um emprego, mas, ao fazer isso, a mulher passa um recibo de confiança para quem comete tal crime", disse a comediante, lembrando que Weinstein teria pago cerca de US$ 100 mil para a atriz Rose McGowan, com quem teve uma relação forçada em 1987. "Não se pode pensar apenas nas contas do fim do mês."

Whoopi garantiu também que o famoso "teste do sofá" (eufemismo para a situação em que a pessoa recebe proposta de emprego em troca de sexo) existe desde o nascimento do cinema. "Essas pessoas estão agindo desde sempre", comentou ela, em outubro, em entrevista à revista Vanity Fair. "E poucos estão percebendo que os homens também passam por isso. É da condição humana."

E o fato de tratar abertamente a maioria dos assuntos já trouxe dissabores para a atriz. Recentemente, em uma entrevista a uma emissora de rádio, Whoopi foi perguntada pelo apresentador se ela tinha sido assediada sexualmente. "Não, querido", ela respondeu, sendo interrompida pela sua agente, que passou uma descompostura no entrevistador ("Tínhamos combinado de não falar desse assunto"), antes de desligar o telefone.

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