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Monólogo revela a complexa simplicidade do verso manoelino

Sozinha no palco, Cassia Kis conversa com o público - o assunto é a poesia de Manoel de Barros

13 fevereiro 2019 - 08h00
Cassia faz questão de recitar os versos exatamente como no original, sem acréscimos ou omissões. Uma correta decisão porque a linguagem de Manoel de Barros era artesanalmente construída, sem se ater a convenções gramaticais ou sociais, mas sempre em busca
Cassia faz questão de recitar os versos exatamente como no original, sem acréscimos ou omissões. Uma correta decisão porque a linguagem de Manoel de Barros era artesanalmente construída, sem se ater a convenções gramaticais ou sociais, mas sempre em busca - Foto: Divulgação

Sozinha no palco, Cassia Kis conversa com o público - o assunto é a poesia de Manoel de Barros. Conhecedora da obra do poeta há quase 30 anos, a atriz protagoniza Meu Quintal É Maior do Que o Mundo. Ao lado do encenador Ulysses Cruz, que a dirige, Cassia selecionou 18 textos, que ilustram tanto o ambiente inspirador para o escritor como, principalmente, revela a complexa arquitetura poética de um texto de aparência simples, infantil.

O ponto de partida revela-se como o primeiro grande acerto da montagem. Ao ler Memórias Inventadas, Cruz notou que os textos continham um enredo, uma pequena história; assim, optou por aqueles que descrevessem a região do Pantanal, onde Barros viveu, as pessoas que o rodeavam e, principalmente, o próprio poeta. A partir dessa estrutura, Cassia Kis não apenas ocupa o enorme palco do Sesi, tornando-o pequeno, como apresenta o poeta por meio de inflexões de voz e também por gestuais que indicam, naquela cena, qual é a fase da vida de Barros, de menino a um senhor sábio. Para isso, contou com a orientação da diretora de movimento Cynthia Garcia.

Cassia faz questão de recitar os versos exatamente como no original, sem acréscimos ou omissões. Uma correta decisão porque a linguagem de Manoel de Barros era artesanalmente construída, sem se ater a convenções gramaticais ou sociais, mas sempre em busca da simplicidade. Usando todos seus recursos cênicos, a atriz é fiel a um comentário feito pelo poeta sobre sua forma de escrever: "Tenho excitação pela palavra. Quando uma palavra me excita, vou atrás da história dela".

A interpretação é completada pela presença do músico Gilberto Rodrigues que, em cena, traz uma sonoridade do vibrafone capaz de recriar o ambiente vivido pelo poeta, complementando os versos ditos por Cassia. Também a iluminação de Nicolas Caratori, que estreia como light designer, é decisiva para marcar a passagem do tempo, ao simbolizar a vida como um dia, do nascer ao poente. Um trabalho conjunto em função da palavra do poeta.