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Dona Ivone Lara fez shows até os 95 anos, lembra neto durante velório

17 abril 2018 - 12h12

Mesmo com a saúde debilitada pela idade, Dona Ivone Lara fez shows até 2016, já com 95 anos. O neto André Lara, seu parceiro, contou que ela só parou quando o Alzheimer a deixou mais frágil e cansada. "Fazíamos shows com amigos, ela gostava muito de se manter no meio da música. Depois começou a ficar muito cansada. Foi uma referência no samba e na família", contou André, na quadra do Império Serrano, em Madureira, zona norte do Rio, onde é realizado o velório da sambista, nesta terça-feira, 17. Ela morreu na segunda-feira, 16, em decorrência de uma insuficiência respiratória.

O corpo chegou às 11h30 ao local. No palco atrás do caixão, foram colocadas fotos do desfile da escola do carnaval do ano de 1983. A bandeira da Verde-e-branca recobre o corpo da sambista. Parentes e admiradores acompanham a despedida.

"Ela foi uma avó que cozinhava e ficava comigo para os meus pais trabalharem. Morávamos perto, em Inhaúma. Almoçava lá, jantava. Era uma mulher que tinha como virtude a simplicidade, independentemente de ser Ivone Lara. Era pioneira mas agia como uma pessoa qualquer no dia a dia", disse André.

O filho, Alfredo Lara, contou que ela conquistou seu espaço com doçura, mesmo dentro de casa - o marido não queria que ela entrasse no meio do samba. "Era uma pessoa humilde, na dela, que abriu portas para outras mulheres. Não gostava de polêmicas. Meu pai tinha ciúme, mas acabou aceitando, com a vinda do sucesso, com todo mundo elogiando. As mulheres na época só dançavam, não faziam samba".

Para o compositor Marquinhos de Oswaldo Cruz, "foi a maior compositora brasileira, e não só de samba". "Eu a visitava e dizia: 'maior que Chiquinha Gonzaga!' Do nível de Cartola, Pixinguinha. Suas melodias tinham muito de um barroco rural da região. Ela gostava muito de partido alto também. Ninguém queria cantar depois dela, era difícil", lembrou o sambista, que foi vizinho de Dona Ivone em Oswaldo Cruz, bairro vizinho de Madureira.