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VARIEDADES

Decisão do Met de cobrar ingresso causa reações indignadas

Estar ou morar em Nova York custa caro, como sabem os estimados 800 mil turistas brasileiros que aqui aportaram em 2017

12 janeiro 2018 - 07h30
A repercussão do processo e a mudança no aviso dos guichês pesou na bilheteria do museu mais popular de Nova York e um dos mais visitados no mundo
A repercussão do processo e a mudança no aviso dos guichês pesou na bilheteria do museu mais popular de Nova York e um dos mais visitados no mundo - Foto: Jimmy McMillan

Reclamar faz parte do DNA nova-iorquino. A metrópole americana mais associada à irritabilidade de seus habitantes chegou a ter um partido chamado O Aluguel é Desgraçado de Caro cujo irascível fundador, Jimmy McMillan, concorreu como candidato a prefeito e a governador, na década passada.

Estar ou morar em Nova York custa caro, como sabem os estimados 800 mil turistas brasileiros que aqui aportaram em 2017. Assim, não causou surpresa a reação indignada com o anúncio do Museu Metropolitan sobre a cobrança de ingresso a partir de 1º de março.

O MoMA, o Whitney e o Guggenheim cobram entre US$ 22 e US$ 25 pela entrada de adultos, mas o visitante do Metropolitan tinha, desde a década de 1970, o direito a entrar de graça. Este fato vai surpreender muitos dos que fizeram fila nos guichês do museu da 5ª Avenida e não prestaram atenção ao aviso de "sugerido" acima dos preços.

Até 2016, o aviso dizia, em letras minúsculas, que o preço era "recomendado", o que escapava especialmente a turistas estrangeiros. Um grupo de turistas moveu uma ação contra o museu por confundir os visitantes, perdeu, mas obteve a mudança dos avisos. O acesso grátis foi estipulado em 1878 porque o Met ocupa de graça um terreno que pertence à cidade. O contrato de aluguel foi modificado, em 2013, com a previsão de que, "se necessário", haveria cobrança de ingresso, desde que aprovada pela cidade.

A repercussão do processo e a mudança no aviso dos guichês pesou na bilheteria do museu mais popular de Nova York e um dos mais visitados no mundo. Em 2004, 63% dos visitantes do Met pagaram o preço máximo "recomendado". Em 2017, só 17% pagaram o preço máximo "sugerido" de US$ 25. A cidade, dona do terreno no Central Park, e que subsidia 9% do orçamento operacional de US$ 305 milhões por ano, aprovou a cobrança, em troca de diminuir o subsídio. A partir do dia 1.º de março, o ingresso vai custar, para não residentes no Estado de Nova York, US$ 25 para adultos, US$17 para idosos e US$ 12 para estudantes. Crianças de menos de 12 anos entram de graça.

A direção do museu estima que os pagantes serão 30% dos visitantes e vão gerar uma receita calculada entre US$ 6 e US$ 11 milhões. O museu opera, além do prédio principal na 5.ª Avenida, o Met Breuer, no antigo prédio do Museu Whitney, na Avenida Madison, e o Cloisters, o museu especializado em arte medieval europeia que fica no parque Fort Tryon, na ponta norte da ilha de Manhattan. Os três locais receberam mais de 7 milhões de visitantes em 2017.

A reação negativa à decisão de cobrar ingresso partiu de influentes críticos de arte em Nova York. Roberta Smith e Holland Cotter, do New York Times, foram os primeiros. Cotter lembrou que o Met gastou recentemente US$ 65 milhões em fontes inscritas com nomes de doadores, um projeto de renovação que não foi bem recebido entre críticos. Alexandra Schwartz, da revista New Yorker, disse que a cobrança de ingresso "diminui a cidade de Nova York" porque o Met não pode se comparar aos outros museus na extensão e âmbito da coleção e conta, desde o século 19, com o apoio dos contribuintes nova-iorquinos.

No começo de 2017, o museu perdeu seu presidente, Thomas Campbell, em meio a rumores de comportamento indevido e má gestão. Campbell havia deixado um déficit anual de quase US$ 40 milhões. Mas as finanças da instituição melhoraram e o déficit deve ser superado até 2020.

Um ponto comum das críticas foi o método para isentar os residentes do Estado. Não existe carteira de identidade federal nos Estados Unidos e a identidade comumente aceita é a carteira de motorista. O museu diz que vai aceitar também alguma conta como a de luz ou telefone como prova de residência. E os imigrantes sem documentos? Será que vão ser afugentados do Met?

Na quinta-feira, 11, o museu recebeu suas multidões habituais, atraídas neste inverno por duas das mais importantes exposições em cartaz na cidade. Apesar do sucesso, a sublime mostra Michelangelo: Desenhista Divino, não vai ser prorrogada além de 12 de fevereiro. A retrospectiva do pintor britânico David Hockney vai até o dia 23 de fevereiro.

Número

25 dólares será o valor a ser cobrado para visitantes adultos a partir de 1º de março - o acesso gratuito foi estipulado em 1878 porque o Met ocupa de graça um terreno que pertence à cidade.

 

Rubeola
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