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TRANSPORTE

Agro aquece mercado de caminhões

O novo coronavírus derrubou a economia e a atividade de transporte, mas não as relacionadas ao agronegócio, setor que vive momento positivo

28 maio 2020 - 13h47Da Redação com Assessoria
O agronegócio representa 25% das vendas totais de caminhões no País, sendo que 12% desses caminhões são direcionados ao escoamento de grãos
O agronegócio representa 25% das vendas totais de caminhões no País, sendo que 12% desses caminhões são direcionados ao escoamento de grãos - Foto: Divulgação/Assessoria
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Diferentemente de outros setores da economia que acumulam perdas em razão da crise da covid-19, o agronegócio está indo muito bem e promete recorde de safra na ordem de 250,9 milhões de toneladas, segundo informações da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). 

 A produção de grãos neste ano deverá crescer 8,8 milhões de toneladas em relação à safra 2018/2019. No que se refere ao transporte, um estudo sobre a evolução do frete rodoviário revelou que, em abril, houve aumento de 10,1% na atividade relacionada ao agronegócio se comparado ao mês de março. O levantamento é da Repom, empresa de gestão de frete da Edenred Brasil, e foi elaborado com base em mais de 500 mil operações no País.

Esse cenário otimista está na contramão dos demais segmentos logísticos, que apresentam retração de 28,8%, de acordo com o mesmo estudo da Repom. “Ao analisar os mesmos períodos no comparativo com o ano anterior, percebemos que o frete para o transporte de grãos de soja teve crescimento de 9,6%”, diz Thomas Gautier, head de mercado rodoviário da Edenred Brasil.

A queda dos demais segmentos, como transporte de carga fracionada, reduziu a quantidade de caminhões na região Centro-Oeste (berço da atividade no País). Com resultado, o preço do frete está valorizado.

Roberto Leoncini, vice-presidente da divisão de caminhões da Mercedes-Benz, explica que, desde o início da pandemia da covid-19, ele e sua equipe intensificaram o contato com o cliente para entender a situação de cada um. “A nossa conclusão é que o agronegócio vai se destacar. A covid-19 não vai impactar na safra, que, mais uma vez, baterá recorde. Algumas situações estão contribuindo para isso, como o câmbio que está favorável para a exportação”, diz o VP da Mercedes-Benz, fabricante do modelo Actros 2651 6x4. 

Garantia de que o transportador terá mercadoria 

A taxa do câmbio contribuiu ainda mais para que produtores garantissem a venda da safra 2020/2021. “Nessa mesma época, em 2019, o produtor estaria vendendo entre 15% e 18% da sua produção deste ano. Agora, cerca de 40% da produção prevista para o ano que vem já está comercializada. Isso traz garantia para o transportador de que ele terá mercadoria para transportar”, revela Leoncini.

Essa previsibilidade deixa o transportador mais seguro para fazer investimentos. E é exatamente nesse aspecto que as fabricantes de caminhões estão focadas. O agronegócio representa 25% das vendas totais de caminhões no País, sendo que 12% desses caminhões são direcionados ao escoamento de grãos. “Esse volume traz um fôlego à economia e ao nosso negócio. Mesmo assim, sabemos que os próximos meses serão complicados”, ressalta Leoncini.

Nesta reportagem, apresentamos o caminhão de cada marca que mais se adequa ao transporte de escoamento de grãos. A apuração da matéria levou em conta o fato de que esse é um transporte que não ocorre o ano todo. Portanto, esses cavalos mecânicos são ajustados a todas as atividades de longas distâncias rodoviárias que requerem peso bruto total combinado (PBTC) de até 74 toneladas – capazes de carregar grandes volumes de carga. Pela lei da balança, esses caminhões devem ser configurados com tração 6x4 e desenvolver potências superiores a 460 cv. Dessa forma, esses veículos podem tracionar implementos do tipo bitrem, de sete eixos, e rodotrem, de nove.

DAF

O representante da DAF para o escoamento de grãos é o XF105 FTT 6x4 de 510 cv. O setor agro representa 70% das vendas da fabricante no País e, não por acaso, o veículo, nessa configuração, é o modelo mais vendido da marca e o terceiro mais comercializado do mercado.

Alekson Felício, gerente de produto da DAF, explica que, quanto maior a potência, melhor será a velocidade média. Nessa configuração, a DAF, além de recomendar o veículo de 510 cv, sugere a relação de diferencial de 3,07:1 por oferecer equilíbrio entre performance e força. Por ser uma atividade em que os caminhões percorrem a maior parte do tempo por estradas planas, essa relação é ajustada.

De série, o XF105 é oferecido com controle de tração e auxílio de partida em rampa, itens que fazem a diferença quando o caminhão trafegar por terrenos mais acidentados. Geladeira e climatizador estão no pacote de itens ofertados de série.

Iveco

Bernardo Pereira, gerente de marketing do produto Iveco, revela que 40% das vendas de caminhões pesados da marca são direcionadas ao agronegócio. E 80% dos clientes que compram veículos para a operação de escoamento de grãos elegem o Hi-Way de 480 cv na configuração traçada.

Para entregar um equipamento mais adequado ao cliente, a Iveco fez melhorias na motorização do Hi-Way. Essas mudanças contemplaram nova turbina, novo coletor de escape e um volante do motor renovado que rendeu no aumento da eficiência do sistema de arrefecimento. Além disso, foi feita a calibração geral de motor e da caixa. Com o maior torque, o desempenho melhorou, permitindo, por exemplo, retomadas mais eficientes. Um diferencial para otimizar os custos operacionais em todas as condições de uso é o modo de condução econômico, acionado pela tecla ECO, no painel. Esse sistema contribui para o menor consumo de combustível.

A bordo, o Hi-Way conta com um volume de porta-objetos de 660 litros, equivalente ao porta-malas de um carro sedã. O espaço torna a vida a bordo mais agradável para o motorista que vai enfrentar rotas de longas distâncias. Outro atributo é o paralama tripartido. Em caso de acidente, o cliente só troca a parte avariada.

MAN

O MAN TGX 29.480 6x4 é o modelo de maior potência da marca. De acordo com Bruno Schonhorst, gerente de marketing da VW Caminhões e Ônibus, para as operações de transporte de grãos, o TGX preferido do transportador é o equipado com motor de 480 cv com cabine leito XLX, que é a mais alta da família.

O executivo destaca ainda que a ampla faixa de torque disponível entre 1.000 e 1.400 rpm, em conjunto com a transmissão de 16 marchas, proporciona ao operador o escalonamento adequado do torque. Isso ajuda a não comprometer o consumo de combustível.

A relação do eixo traseiro do TGX 3,07:1, mais longa, atende a grande parte dos corredores de escoamento de grãos do País, em que há poucos trechos planos.

A cabine chama atenção por ser a única do segmento que não é curvada. Com isso, o condutor consegue trafegar melhor a bordo. No último facelift do modelo, feito em 2018, foi incorporado o farol para rodagem diurna (DRL). Seu acendimento é automático com a ignição ligada.

Mercedes-Benz

A marca da estrela recomenda o Actros 2651 6x4 da nova geração para a operação de grãos. Apesar de a fabricante ainda produzir o Actros da geração anterior, o caminhão atual é 12% mais econômico. E uma das exigências do transportador de grãos diz respeito à economia de combustível.

Outra demanda do segmento é a disponibilidade do caminhão. São veículos que trafegam por locais mistos, desde a fazenda para fazer a colheita até o asfalto, a caminho do escoamento. De acordo com Marcos Andrade, gerente de produto da divisão de caminhões da Mercedes, a cabine do novo Actros, que é um projeto global, foi desenvolvida no Brasil para atender a essas peculiaridades geográficas com robustez e resistência. Andrade chama a atenção ainda para o motor do Actros, o OM 460, que compartilha as mesmas peças do motor OM 457, que já teve mais de 100 mil unidades vendidas em caminhões e ônibus da marca.

Essa popularidade ajuda o transportador, que, mesmo afastado dos grandes centros, consegue com facilidade encontrar peças e mão de obra preparada para fazer qualquer manutenção.

O novo Actros é o único do seu segmento que oferece de série sistemas de segurança ativa, como o ABA de nível 5. Esse sistema freia o veículo sozinho caso “enxergue” algum objeto na pista, inclusive pedestre. O Actros é também equipado com o inédito MirrorCam, sistema de câmeras no lugar dos retrovisores laterais.

Volvo

Na fabricante, o agronegócio é o setor que responde pelo maior volume de vendas de caminhões da marca. “Calculamos que o agro demande cerca de 60% de nossa produção”, diz Clóvis Lopes, gerente de caminhões da Volvo.

Especificamente para o transporte de grãos, o FH 540 cv 6x4 é o veículo indicado. O modelo é líder de vendas na categoria de pesados desde 2018. Uma novidade é o sistema de Aceleração Inteligente, tecnologia que proporciona economia de combustível de cerca de 10% por controlar eletronicamente a gestão do motor. De acordo com Lopes, essa tecnologia aumentou ainda mais o espaço do FH 540 cv 6x4 no transporte de grãos, justamente devido aos benefícios que traz. No ano passado, por exemplo, foram vendidas 7.135 unidades do modelo no País.

Scania

Segundo Silvio Munhoz, diretor comercial da Scania, 45% das vendas de cami- nhões pesados da marca são direcionadas ao transporte de grãos. A Scania oferece os modelos R 500 e R 540. Mas, de acordo com o diretor da fabricante, o cliente tem optado mais pelo modelo de 500 cv. “Na maior parte das operações, o torque de 260 mkgf do R 500 resolve. Mas recomendamos o R 540 para aquelas atividades em que o caminhão vai tracionar nove eixos. O torque elevado de 270 mkgf oferece mais forma e performance”, explica Munhoz. O cliente, segundo ele, exige um caminhão que seja confortável e seguro. “Quanto mais completo o caminhão for, mais o transportador consegue reter bons motoristas”, diz o representante da empresa. O caminhão da Scania é o único da categoria que oferece air bag lateral como item opcional. De série, o caminhão da marca é equipado com air bag frontal.

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