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FRIGORIFICO

Falta atenção dos frigoríficos brasileiros às mudanças das normas de abate Kosher

Trata-se de um negócio em expansão, que representa atualmente cerca de US$ 70 milhões para os frigoríficos brasileiros

27 Dezembro 2017 - 14h28Gustavo Cezário
O ponto alto da missão técnica de Felipe Kleiman foi o contato com a professora Temple Grandin, da Universidade do Colorado
O ponto alto da missão técnica de Felipe Kleiman foi o contato com a professora Temple Grandin, da Universidade do Colorado - Foto: Felipe Kleiman

Até Junho de 2018, os frigoríficos brasileiros e do Mercosul de abate Kosher precisarão estar adequados à nova normativa de Israel, que inclui mudanças no abate dos bovinos, com a instalação de boxes rotativos para imobilização e procedimentos ligados ao abate humanitário e bem-estar animal.

“São mudanças que, de um lado, podem tirar os frigoríficos brasileiros (7 plantas, no total, incluindo os grandes players) desse segmento de alto valor agregado e, de outro, podem representar uma grande oportunidade para os frigoríficos que desejam participar desse mercado”, destaca Felipe Kleiman, consultor em projetos Kosher, que desenvolve soluções para o processo de abate no novo marco de bem-estar animal.

Trata-se de um negócio em expansão, que representa atualmente cerca de US$ 70 milhões para os frigoríficos brasileiros. Porém, há alguns anos, as vendas atingiam US$ 140 milhões/ano. “Já começou a contagem regressiva para os frigoríficos brasileiros que exportam para Israel”, explica Kleiman, ressaltando que a instalação dos boxes rotativos é um processo complexo e que necessita da consultoria de especialistas para atender aos requisitos da normativa.

Felipe Kleiman acaba de voltar dos Estados Unidos, onde participou de visitas técnicas a frigoríficos e teve encontros com especialistas em bem-estar animal, como Temple Grandin, a mais importante personalidade desse segmento.

O roteiro incluiu 15 cidades em 8 estados norte-americanos, com a visita a quatro frigoríficos que trabalham exclusivamente com abate Kosher. Nessas indústrias, “foi de grande valor compreender o funcionamento dos boxes rotativos de imobilização de bois, destinados a melhorar o bem-estar dos animais na contenção prévia ao abate”, assinala o consultor brasileiro.

Ele informa que o frigorífico norte-americano com os melhores resultados em termos de bem-estar animal conseguiu isso depois de 5 anos, com a constante melhoria do design e a automação dos pontos-chave do box rotativo. “A maioria desses equipamentos deixa as fábricas sem esse grau de otimização, sem essa sintonia fina com as condições de bem-estar animal”, diz Kleiman.

A viagem técnica aos EUA também envolveu duas auditorias de bem-estar animal em abate Kosher, uma delas feita pela professora Erika Voogd, a principal auditora norte-americana nessa área, que frequentemente vem ao Brasil e a outros países da América do Sul para ministrar treinamentos para auditores de bem-estar animal.

O ponto alto da missão técnica de Felipe Kleiman foi o contato com a professora Temple Grandin, da Universidade do Colorado. O tema central foi a otimização do projeto e operação dos boxes rotativos de imobilização de animais. “Cerca de 70% das instalações de manejo de gado nos EUA utilizam seus princípios e modelos”.

A jornada aos EUA incluiu visita à KosherFest, feira mundial de alimentos Kosher, que acontece anualmente em Nova Jersey, com encontros com rabinos de importantes certificadores Kosher, como OU, Star-K e OK, e com os principais empresários da carne Kosher nos EUA que se interessam pela carne do Mercosul, principalmente do Brasil e Paraguai.

“O mercado potencial é grande e as possibilidades de o Brasil voltar a crescer em abate Kosher são imensas. Porém, o desafio é preparar os frigoríficos para atender à normativa de Israel. Infelizmente, poucos estão dando a atenção devida à mudança das normas de abate e, por consequência, a esse importante segmento de negócio”, ressalta Felipe Kleiman.