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Marco abre hoje sua primeira temporada deste ano

Quinta, 13 de Março de 2014 - 07:37
Fonte: Governo do Estado
Foto: Divulgação
Viajou pelo mundo em busca do afro
O Governo do Estado, através da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, promove no Museu de Arte Contemporânea (Marco) a 1ª Temporada de exposições 2014. A 1ª Temporada conta com duas mostras: Nos Caminhos Afro – fotografias em preto e branco do renomado fotógrafo francês Pierre Verger e Plano B – intervenção da artista plástica Ana Ruas.
 
A exposição, Nos Caminhos Afro, fotografias em preto e branco do fotógrafo, etnólogo, antropólogo e pesquisador francês consagrado internacionalmente, Pierre Verger, marca a terceira etapa de um projeto de itinerância que percorrerá quatro cidades brasileiras até 30 de novembro de 2014.
 
Com maestria de quem faz da fotografia não apenas um ofício, mas uma expressão artística, Pierre Fatumbi Verger registrou cenas que convergem com o que há de mais genuíno no continente-mãe, com leveza de quem retrata a vida por vocação, enxergando beleza em atos do cotidiano despercebidos ao olhar comum.
 
As imagens da exposição revelam singularidades, como Tambor de Mina, no Maranhão, Xangô, em Pernambuco, Candomblé, na Bahia, feiras, mercados e festas populares, um vasto leque sobre o cotidiano do povo negro. Qualidades tão africanas registradas em uma época na qual imperava uma cultura europeia dominante e opressora. A obra em exibição é resultado da vivência pessoal como fotógrafo-viajante, que se tornou antropólogo não assumido.  
 
De notável qualidade plástica, as fotografias narram a proximidade de povos de origem afrodescendente com o continente-matriz, a África. São registros sobre o cotidiano, a cultura e a religiosidade de descendentes de africanos no Brasil e em mais de 20 países. Nos Caminhos Afro é um convite a uma viagem no tempo com destino às sutilezas e às peculiaridades do universo interpretado por um fotógrafo-viajante, que fez longas expedições de 1932 a 1970. O interesse de Verger pelo povo de origem africana o levou a destinos como Cuba, Haiti, Serra Leoa, Santo Domingos, Estados Unidos, etc.
 
Uma das fotos registradas no Brasil
 
Embora nascido em uma família europeia burguesa, Verger optou por uma vida simples, diferente da sua origem. Longe de casa, dedicou-se integralmente à fotografia, à pesquisa e à religião de matriz africana, fazendo ao longo da vida um trabalho fotográfico de grande importância, baseado no cotidiano e na cultura popular de povos dos cinco continentes. Como pesquisador, escreveu diversos livros sobre cultura afro-baiana e a diáspora, voltando seu olhar de pesquisador para o candomblé, foco de interesse da sua obra.
 
Em 1953, Verger viveu na África o “renascimento” a partir de uma iniciação religiosa, recebendo o nome de Fatumbi. Significa “nascido de novo graças ao Ifá”. A intimidade com a religião de matriz africana, experiência iniciada na Bahia, facilitou o contato com sacerdotes e autoridades na Bahia e na África. Como um mensageiro, Verger levava e trazia informações, mensagens, objetos, criando uma rota de pesquisa que ligava a origem ancestral à cultura e aos cultos praticados no Brasil. Foi iniciado como babalaô - um adivinho através do jogo do Ifá, com acesso à tradição oral iorubá. 
 
De 1930 até o início da década de 1940, Verger fez longas viagens ao redor do mundo. Polinésia Francesa, Japão, Camboja, Índia, Portugal, Espanha, Bolívia, Argentina são alguns lugares fotografados por Verger. Em 1946, desembarcou na Bahia pela primeira vez e logo foi seduzido pela hospitalidade e pela riqueza cultural encontrada em Salvador. Em terras baianas, Verger adotou não apenas nova residência, mas um estilo de vida. Conviveu com trabalhadores do porto, lavadeiras, capoeiristas, e artistas como Carybé, Mário Cravo e o escritor Jorge Amado.
 
Dos anos 1960 até sua morte em 1996, morou em uma casa simples, de cama estreita e poucos móveis, onde atualmente funciona a Fundação Pierre Verger. Escolheu um bairro popular, desenhado por vielas e saliente ladeira. No total, a obra de Verger abrange mais de 60 mil fotografias e inúmeros livros, acervo disponível para visitação na Fundação.
 
A exposição Nos Caminhos Afro, antes de chegar à Campo Grande, foi vista por mais de sete mil pessoas em Campina Grande, na Paraíba, onde ficou em cartaz durante três meses no Museu Assis Chateaubriand e em Teresina, no Piauí, exibida recentemente no Museu do Piauí – Casa de Odilon Nunes.
 
Após temporada em MS, a mostra seguirá para Goiânia (GO), último destino da itinerância. Para o curador da exposição, Alex Baradel, a escolha dos destinos foi fundamental no processo de montagem do projeto. “Escolhemos cidades que receberão uma exposição de Verger pela primeira vez. Fizemos questão de mapear museus fora do eixo Sul-Sudeste, que, por tradição, já recebem grandes exposições”, explica. Antes da itinerância, Nos Caminhos Afro foi exibida pela primeira vez em 2012, em Vitória (ES), onde foi vista por mais de cinco mil pessoas.
 
Além das fotografias, os visitantes poderão assistir a dois vídeos. São eles: Olhares Nômades (2005) e Mensageiro entre dois mundos (1999). O primeiro é composto por trilha sonora original e 600 fotografias sobre cultura popular nordestina. Já o segundo trata-se do documentário de Lula Buarque de Holanda, no qual Verger aparece em sua última entrevista antes de morrer, feita pelo artista Gilberto Gil.
 
Ana Ruas
 
A mostra Plano B, da artista plástica Ana Ruas, apresenta sua reconhecida competência em pintura mural e intervenção em locais públicos para dentro do espaço expositivo do Marco. É uma intervenção feita na sala de exposição do museu, onde a artista recria vários planos desse ambiente apenas com o uso da cor, uma de suas maiores especialidades, remetendo o visitante num jogo entre o que é real e o que é ilusão.
 
Proposta feita pela artista plástica Ana Ruas
 
“A obra de Ana Ruas como um todo se elabora a partir de questões próprias da linguagem da pintura, às quais a artista busca resolver, ora preenchendo pequenas ou grandes telas em séries, ora recobrindo muros ou, ainda, se divertindo com o jogo do palimpsesto nas paredes de seu atelier. Em todas essas possibilidades, busca respostas para as relações entre as formas e as cores, o tempo e o espaço, a tela e o texto, o atelier e a cidade. O desejo de intervir no olhar domesticado e dotar a cidade com novas perspectivas, pelo menos do ponto de vista das cores, leva a artista a criar arquiteturas efêmeras. São as intervenções realizadas em viadutos, paredes cegas ou muros, capazes de imprimir um caráter de ilusão e magia apagando momentaneamente a superfície-objeto como realidade. O mesmo ocorre nas intervenções em ambientes internos, como museus e galerias, recobrindo o espaço de novos significados”, segundo a crítica de arte Maria Adélia Menegazzo.
 
Ana Ruas nasceu em Machadinho (RS). Vive e trabalha em Campo Grande desde 1996, onde além de desenvolver seu trabalho individual de ateliê, criou vários projetos de intervenções urbanas e de arte-educação. Em 2011, inaugurou o Ateliê Ana Ruas, um ateliê aberto que reúne artistas, curadores e profissionais de diversas áreas com propostas transdisciplinares.
 
Serviço:
 
A primeira temporada estará aberta à visitação de terça a sexta-feira, das 12 às 18 horas. Sábado, domingo e feriado das 14 às 18 horas. Começa no dia 14 de março e segue até o dia 1º de junho.
 
Informações e agendamento com escolas para visitas mediadas com as arte educadoras do Programa Educativo, ligar no telefone 3326-7449. O Museu de Arte Contemporânea fica na Rua Antônio Maria Coelho, 6.000, no Parque das Nações Indígenas.
    
 
 
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